silva ! @ 18:15

Dom, 26/11/06

BEIRA ALTA
UM RETRATO TERRITORIAL
in
AAVV (1988), Arquitectura Popular em Portugal, Lisboa, AAP.)


[...]

Construções Típicas

As construções são de granito ou de xisto, principalmente de dois pisos, com escadas exteriores. Têm origens profundas na natureza e vida da região.

Características: emprego da pedra - granito ou xisto - , travado por cunhais de granito nas áreas de transição; casas de planta rectangular, sem grande regularidade, dominando as de dois pisos, o primeiro destinado aos animais e às alfaias e o segundo à habitação; as escadas exteriores, de pedra; as varandas alpendradas, frequentemente envidraçadas; os telhados de telha solta de canudo, ou placas de xisto; a ausência de chaminés; interiores escuros e desconfortáveis em geral com uma sala comum onde se cozinha no chão; são estes os aspectos da arquitectura em quase todo o território das beiras.
A lareira é o fulcro da habitação. Aí se preparam as refeições, se aquecem os corpos enregelados pelo Inverno, se convive, se fuma a carne de porco e se seca a lenha ou as castanhas.

O solar e a igreja são as peças mais ricas e expressivas desta arquitectura humilde e sem requintes. Surgem frequentemente, nesta área, pelourinhos e alminhas.

O emprego da telha em coberturas, certas maneiras de aparelhar e dispor as pedras em paredes e, possivelmente, a organização espacial dos pátios são contribuições duradoiras da influência romana na beira além da prática de pavimentar os arruamentos com grandes pedras.

Os carros de bois são, ainda hoje, o meio mais usual para o transporte de objectos e pouco ou nada diferem dos que se usavam há dois mil anos. Continuam, como então, a condicionar a escala dos pátios, dos alpendres e das dependências que os guardam. A escala e a organização espacial das casas rurais devem muito às actividades e ao engenho da gente que povoou a beira noutros tempos.

As imposições da agricultura dominam o panorama dos factores condicionantes das habitações. É para facilitar as tarefas agricolas, ou tendo em conta as necessidades relacionadas com a agricultura, que se organizam os espaços internos das habitações e aqueles que constituem o seu prolongamento natural para o exterior. Metade da superfície coberta destina-se aos animais domésticos, às alfaias, às arrecadações de palha para o gado. Atrás da casa fica o quintal, com uma pequena horta, alguns cordões de vinha e o poço de cegonha.

Cada casa é o fulcro de um pequeno mundo agrícola familiar.
Para além do sector habitacional, são bastantes ainda os edifícios que servem os agricultores. Entre outros, os palheiros, as casas da eira, os espigueiros, os lagares, as adegas e as azenhas.


Materiais correntes de construção

O granito é aquele em que a Natureza foi mais pródiga e generosa para os construtores da região. A generalidade do seu emprego e a variedade das suas aplicações decorreram dessa abundância e da qualidade excepcional do granito.

As argamassas são de uso relativamente recente. A falta de calcários deu à cal - importada de Cantanhede - um carácter de luxo, que só os ricos se podiam permitir. Rudes alvenarias não argamassadas são, contudo, ainda correntes na Beira.

Nalgumas àreas da região, o xisto substitui o granito como material de mais fácil aprovisionamento local. Utilizam-no, quase exclusivamente, nas suas formas naturais de extracção, em paredes de alvenaria, muito menos estáveis que as de granito, ou em coberturas simples dos edifícios humildes- dispostas as maiores sobre um varedo tosco de madeira. Ou ainda em pavimentos de lareiras e de casas. Só em regiões privilegiadas se pode extrair duma peça de xisto uma verga para um vão de porta ou janela, dificuldade que impôs aos construtores uma solução, depois generalizada: a de as fazerem duma madeira sólida e duradoura, quase sempre o castanho, madeira a que o correr dos anos acaba por dar um aspecto muito pareciso com o do próprio xisto.

Nas zonas de transição entre os terrenos xistosos e os graníticos, a estabilidade das paredes de xisto reforça-se com o emprego de vergas e de cunhais de granito, endentados na alvenaria corrente.


Extensas matas de pinheiros cobrem uma percentagem elevada do território da Beira. Em tempos idos, os soutos de castanheiros ocupavam vastas áreas acima dos 500 metros de altitude. As peças grandes de pinho ainda são feitas no local de derrube. O tabuado, o varedo, o ripado e os barrotes de secção média já se fazem em serrações mecânicas. O corte manual e o corte mecânico, exacto, estão na base das diferenças de expressão das carpintarias em obras, nos edifícios recentes e antigos.
Entre os trabalhos correntes de madeira contam-se os pavimentos ( só no primeiro andar, nas casas rurais de dois pisos ), o de revestimento de tectos ( só em casas abastadas ), o de cancelas, portas e janelas ( estas ainda sem vidros nos povoados menores ), o das varandas e o de edificações especiais, como é o caso dos espigueiros que abundam a norte de Viseu.



Alipio Barra @ 21:34

Seg, 27/11/06

 

Continuo a apreciar o vosso trabalho. Espero, em breve, ver as fotos dos vossos projectos, sem precisar de ir a essa linda terra do Caramulo.
Entretanto, ...

...check my weblog. I've just published three posts ... for you!
Enjoy them. See you soon.
Mr Barra

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